Caso Carlinhos

· O ano de 1973, no Brasil, foi marcado pelo caso de sequestro infantil do menino Carlos Ramires da Costa na cidade do Rio de Janeiro. O sequestro ocorreu no dia dois de agosto na capital carioca e segue sem uma conclusão até os dias de hoje. Na época, a família Ramires da Costa era formada pelo casal Maria da Conceição, João Mello e seus sete filhos.

· O sequestro:
Tudo ocorreu em uma quinta-feira à noite, a mãe e quatro dos seus filhos estavam assistindo novela na sala de casa quando a luz foi cortada, a filha mais velha de quinze anos foi conferir do lado de fora se era apenas o sobrado que estaria sem luz e assim ligá-la ou se era um apagão na rua. Ninguém suspeitava de nada já que viviam em segurança e conforto na zona sul do Rio, até que um homem com o rosto coberto entra dentro da casa com a filha mais velha e tranca todos no banheiro da residência. O sequestrador deu a ordem de entregar o filho mais novo – na ocasião, Carlinhos de 10 anos – e garantiu que não iria machucá-lo, o menino foi entregue já que seus dois irmãos mais novos estavam com o pai que na hora do sequestro estava fazendo entregas na Barra da Tijuca com mais um funcionário. Apesar de estar com a maior parte do rosto coberto, algumas características do sequestrador foram vistas, era um homem negro, aparentemente jovem, com cabelo estilo black power e que vestia uma blusa vermelha no momento do crime. Mesmo com todos esses detalhes não fizeram nenhum retrato falado do suspeito. Foi deixado no local uma carta com erros ortográficos pedindo um resgate no valor de 100 mil cruzeiros que é equivalia a mais de 300 mil reais, na carta tinha os detalhes do que deveria ser feito para recuperar a criança e caso desobedecessem iriam executar o menor. Estava planejado que a troca ocorreria dois dias depois do sequestro em um local próximo à residência.

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Por: pt.wikipedia.org


· O papel da polícia e da mídia:
A polícia foi avisada logo após o sequestro, mas como na época esse tipo de crime era algo bem incomum houve inúmeras falhas das autoridades. De início, o local do sequestro foi contaminado pela quantidade de pessoas que transitaram no local após o ocorrido, a polícia estava despreparada e o maior erro cometido foi ter anunciado à mídia.
Com a mídia interferindo logo a notícia se espalhou e a sociedade comovida se juntou para ajudar, foram feitas vaquinhas de dinheiro para juntar o valor do resgate e com o fim do prazo exigido pela carta do sequestrador o valor já havia sido angariado. Ao chegar dia quatro, o cenário era notório que não haveria entrega da criança, o local marcado estava repleto de policiais, repórteres, radialistas e de pessoas interessados no desfecho da história. Sequestros não erma comuns então a mídia ficou em cima e a população também. Nada aconteceu, as autoridades e voluntários ainda fizeram buscas no local e em suas proximidades, mas não encontraram nenhuma pista. As buscas pararam e as investigações começaram em volta do caso. A teoria mais forte era de que o sequestrador era um amigo da família pelo fato de conhecer a casa e conseguir andar por ela até mesmo no escuro.

· As investigações:
Mais cartas começaram a chegar, qualquer menino loiro e aparentemente parecido com Carlinhos era reportado à polícia na esperança de ser o menino e as autoridades iam atrás de cada pista. O caso chegou a ter repercussão até no exterior, mas o paradeiro do menino seguia desconhecido e nenhuma prova concreta foi encontrada nem mesmo o short azul marinho que o garoto usava no dia do sequestro. Alguns jornais começaram a propagar informações de que o menino estaria morto sem nenhuma evidencia, a família passou por vários constrangimentos com a perseguição da imprensa e as falhas da polícia dificultavam ainda mais, os vizinhos nem sequer foram interrogados na noite do sequestro e alguns suspeitos foram questionados pelas autoridades na frente das câmeras, comprometendo tanto a investigação quanto a segurança dos indivíduos. Surgiram várias teorias do que poderia ter ocorrido com Carlinhos, uma delas era de que o sequestro foi a mando de um homem que o pai do menino devia dinheiro, outra hipótese era de algum funcionário da clínica. Vários suspeitos foram presos para interrogatório, mas nenhum foi condenado. As suspeitas começaram a recair sobre os pais de Carlinhos, primeiro sua mãe foi acusada, mas descartada e logo em seguida seu pai virou suspeito.
O inquérito oficial foi aberto quase quatro anos depois do sequestro, em 1977, até então as autoridades só trabalhavam com investigações. A irmã mais velha de Carlinhos disse ter reconhecido um dos funcionários do seu pai como o sequestrador, Silvio foi preso, investigado e condenado, mas seus advogados conseguiram que o homem fosse absolvido depois de recorrerem. Assim, o caso segue sem uma resolução, os pais de Carlinhos se separam depois de 19 anos casados. Sua mãe e seus irmãos evitaram a imprensa por muitos anos, ela alegava que todo mundo queria e conseguiu lucrar com o caso. Maria da Conceição foi a única que manteve esperança de encontrar seu filho. Inúmeros homens a procuraram alegando ser Carlinhos por terem perdido o contato com os familiares, mas nenhum foi reconhecido através de testes de DNA como o menino sequestrado aos 10 anos.


· Curiosidades:
-O pai vive com outra mulher hoje em dia e sem provas concretas de que estava envolvido no sequestro do filho.
-A mãe disse ter encontrado a paz quase trinta anos depois do ocorrido após ter sonhado que recebeu uma mensagem dizendo que o filho estava no céu. Ela mora com a filha mais velha atualmente.
-O caso possui inúmeras contradições e segue sem resolução. Ninguém sabe o que realmente aconteceu com o menino.